É prá você, Santaní!
Costumo fazer meus artigos sempre baseados em músicas e histórias que têm sido a fonte das minhas inspirações e por incrível que pareça a maioria é Correntina, de Corrientes, cidade fronteiriça da Argentina com o Paraguai. Mas essa música sim, é Paraguaia.
Nela, Federico Molas rende uma homenagem ao lugar que o viu nascer e compôs uma letra na qual seu conterrâneo Juan Galeano Morel colocou a música. Nunca vi um povo tão apaixonado pelo lugar onde nasceu, disse Caraí Cacualdo, um brasiguaio contador de anedotas e causos populares.
Foi nos meados de 1960, lá em Santaní (palavra que provém de San Estanislao), comunidade do Departamento (Estado) de San Pedro, no Paraguai que os dois se encontraram, nos arredores do Mercado Quatro, em Asunción.
“Convidou-me para ir à sua casa e me mostrou a letra de Ndéve Guarã Santaní. Fiz algumas ponderações e me perguntou quem podia musicalizar aquela letra. Lhe disse: Juan Galeano Morel, nosso conterrâneo e compositor é o indicado”, lembra Cabrera Giménez.
Molas foi à casa de seu conterrâneo Juan Natividad Galeano Morel e levou sua letra, pedindo que colocasse a música. “A partir dali, em várias ocasiões, se encontraram para fazer coincidir as palavras com a música”. Galeano Morel, órfão de pai, havia saído de sua terra muito jovem com sua mãe e sua avó.
Em Asunción estudou e trabalhou. Viveu um curto lapso em Buenos Aires. “Ali pode ter aprendido o bandoneón”, retrata seu filho. Ao retornar encabeçou a Orquesta Galeano e logo depois a Orquesta Íris. Voltando ao eixo central deste relato, Lindolfo Antonio Molas, mais conhecido como “Titino”, sobrinho de Federico, foi em parte testemunha do nascimento de Ndéve Guarã Santaní.
“Minha noiva na época e atual esposa, Amanda García, vivia meia quadra da casa de tio Federico. Então eu usava a sua residência como desculpa para estar mais perto dela. Por isso é que presenciei quando Juan Galeano Morel e o tio ensaiavam, se corrigiam e começavam de tudo novo”.
Na poesia, Molas recorda desde a distância da sua terra natal, das lembranças geográficas e fala de seus encantos. “A orquesta de meu pai foi a primera em gravar a composicão. Quando morreu, os filhos doaram totalmente os diretos autorais da música à Apa (Autores Paraguayos Asociados)”, conclui o Dr. Juan Roque Galeano, o filho do autor dessa linda polca paraguaia.
ÑDÉVE GUARÃ SANTANÍ
Un tierno canto quiero brindarte
al rcordarte mi Santaní,
vergel florido, cuña de amores
donde he vivido siempre feliz.
Parece el pueblo blancas palomas
que en una loma posan allí,
brindan sus aguas, muy azuladas
el muy mentado, Ykua Pa´i.
Oime, upépe kuña horyva
ikatu´ÿva nderesarái
rejuyeyne he´iva ndéve
jarepyrüma Tapirãkuãi
ha umi che áma pe pyharérö
musicokuéra nomongevéi
ha serenata pe ijapysápe
he´I asyva pe ipurahéi.
Recuerdo siempre un triste día
amanecía cuando partí
atrás quedaban gratos recuerdos
en ese pueblo de Santaní.
Allí quedaba mi madrecita,
ya muy viejita reza por mí,
también la amada, muy resignada,
con honda pena me vio partir.
Oime, upépe kuña horyva…
O autor é bacharel em Direito, pós-graduando em Metodologia do Ensino Superior, vereador em Ponta Porã e estudioso da cultura fronteiriça. E-mail: marcelinonunes@ibest.com.br